segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O que é e o que não é inteligência competitiva

As discussões que surgiram sobre inteligência competitiva nos EUA tem origem na área de inteligência militar, tendo alguns conceitos da agência de inteligência americana, a CIA sido adaptados para análise da concorrência, sendo Herring (Academy of CI), precursor da área. Na França, por outro lado, os autores que associam seus trabalhos e pesquisas ligados a inteligência competitiva como LESCA (ADVS), procuram aproximar-se de conceitos mais ligados ao processo de inteligência coletiva.

A literatura sobre IC de uma forma geral relata casos e sugere modelos ainda passíveis de comprovação através de um estudo empírico mais amplo, contando freqüentemente apenas com a opinião do autor a partir de sua experiência profissional. É o que atesta a pesquisa de Saayman et al. (2008) que procura preencher essa lacuna com um estudo quantitativo que busca validar os modelos apontados na literatura como descritivos do processo de CI. Apesar de procurar identificar as particularidades das etapas de 1. planejamento e foco, 2. coleta, 3. Análise, 4. Comunicação, só consegue efetivamente observar três etapas distintas nas empresas, uma vez que as etapas de análise e comunicação se mostram confundidas em uma só etapa. É possível que este resultado se deva ao fato que boa parte da amostra é composta por empresas de pequeno e médio porte e que nestas, análise e comunicação não são etapas claramente distintas, muitas vezes sendo feitas de maneira conjunta pelo corpo diretivo de maneira pouco estruturada.

As discussões sobre IC começam a ser encontradas com mais freqüência na década de 60. Mas há autores que já associam a discussão de CI aos chineses a 5000 atrás pelos chineses (Qingjiu and Prescott, 2000).

Alguns entendem que o processo de inteligência desenvolvido pelas empresas como algo mais amplo e que a forma de se fazer inteligência se relaciona à viabilidade em se analisar o ambiente (Daft e Weik 1984). Ambientes mais complexos são vistos como de difícil compreensão e exigem processos menos sistemáticos de inteligência competitiva.

Alguns pesquisadores e também profissionais de inteligência têm caminhado no sentido de ver a atividade de CI de forma mais abrangente que apenas a análise sistemática de dados de mercado, que é o que Gilad (2008) chama de a escola do Reporters, isto é elaboradores de relatorios.

Para Gilad a riquesa dos processos de inteligência está na capacidade de analisar o ambiente competitivo, gerar perspectivas a partir do que se observa. Defende a escola dos Analysts.

Mas o que é então a inteligência da empresa, inteligência competitiva. É um processo, é dinâmico. Um dado, uma informação em si não é inteligência. Da leitura, análise e interação com a informação é que emerge a inteligência, a perspectiva que busca Gilad. Da mesma forma, um código de software estático não é um sistema de informação. O sistema de informação só se revela na medida em que é processado, só se revela na execução do código. Da mesma forma, a IC não é inteligência se apenas produz relatórios e documentos que organizam os dados e a informação, o produto da inteligência só existe na medida em que existe um processo que mantém a informação viva, que a trata e que gera um produto que é a ação. Bernhardt (1994) diz que a inteligência competitiva é ao mesmo tempo um processo e um produto.

Vista como um processo, a IC produz inteligência quando o produto é a ação decorrente do processo. Uma ação, não apenas um relatório.

Um processo dito de IC deve sensibilizar as pessoas a agirem. O resultado, o produto da inteligência o é somente se significar ação. E para que isto ocorra o processo de inteligência, sua prática deve estar integrada e participativa na discussão do negócio.

Nota-se no entanto, que muitos não incluem a ação em si como parte integrante do processo de IC. É algo posterior ao ciclo de inteligência que se encerra no que se costuma chamar da etapa de disseminação ou comunicação.

Por fim é importante destacar que a atividade de IC transcende uma “área de IC”, pois pode ser desempenhada sem uma função explicita na estrutura organizacional criada especialmente para isto. O exercício de inteligência competitiva é uma atividade de todos em uma empresa e não de uma área da empresa apenas.

(artigo publicado originalmente no portal Meta Análise em 11 de agosto de 2010)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

SCIP Brasil 2010 - Estaremos lá

A ADVS Brasil e a ACI - Fuld, Gilad e Herring Academy of Competitive Intelligence, parceira da ADVS no Brasil, estarão no evento da SCIP. O Leonard Fuld da ACI irá fazer um workshop sobre War Game. Eu, Fernando de Almeida falarei sobre modelos e organização para a atividade de Inteligência Competitiva nas empresas. E o Fernando Cortezi da ADVS Brasil irá falar sobre práticas de análise de cenários. O link do evento é: http://www.informagroup.com.br/scip

domingo, 22 de agosto de 2010

Congresso de Inteligência Competitiva na Alemanha

Temos algo em 2011 que talvez valha à pena acompanhar:

The International Competitive Intelligence Conference April 6-7th, 2011, Bad Nauheim (Germany) ”Delivering excellence in Competitive Intelligence thinking and practice in a challenging environment”

Vejam detalhes no link: http://conference.competitive-intelligence.com/

Indica ser um congresso onde haverá pessoas aprensentando experiências e trabalhos acadêmicos. Interessante para entender para onde caminham as práticas de inteligência competitiva nas empresas e em termos de pesquisas.

Tem apoio da Câmara Francesa de Comércio e Indústria. Faz parte do comite científico o Philip Clerc, da Câmara e bastante interassante, preocupado com o tema de inteligência econômica e territorial. Além deste estão Henri Dou, pesquisador importante na França na área de Inteligência e Creig Flesh, importante referência em processos de análise para inteligência. Também fazem parte John Prescott.

Estou pensando em ir conferir.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Leonard Fuld vem aí em Outubro

Leonard Fuld da Academy of CI vem ao Brasil em outubro para o evento da SCIP. Uma chance de ver um dos mais renomados práticos da Inteligência Competitiva. Vem falar sobre War Game. É o keynote speaker do evento. Quem quiser saber mais sobre ele é só ir no site da Academy (www.academyci.com).

sábado, 14 de agosto de 2010

Web 2.0, inteligência, conhecimento.... o que vem pela frente?

Na semana que passou o Prof. Luc Quonian da Universidade de Toulon fez uma palestra na Câmara Francesa onde falou sobre evolução do comportamento das pessoas e da Web 2.0. Destaca na sua palestra, o trabalho colaborativo. Entende-se que cada vez mais as pessoas dependerão das outras para criar, desenvolver seu trabalho de maneira colaborativa. Trabalho colaborativo e compartilhamento de conhecimento. Como diz Piere Levy ninguém sabe tudo e cada um sabe alguma coisa. A inteligência está em toda parte. Mas o que se dá conta é a mudança que se espera ver a partir da mudança de comportamento das novas gerações com a Web. As pessoas que nasceram na era Web cada vez aprofundam-se menos neste ou naquele assunto e surfam literalmente sobre os assuntos. Quoniam fala da geração digital. Chama de geração 1.0 quem nasceu depois de 1985 e de geração 2.0 quem nasceu depois de 1995, isto é, quem hoje tem 15 anos ou menos. Um estudo feito por Mark Prensky mostrou que essas gerações passam 250.000 h em emails, 10.000 falando no celular, 20.000 horas na televisao, 500.000 h em ecomerce e só 5000 horas lendo. Ou seja, uma grande mudança no conhecimento adquirido pelos indivíduos. Não será certamente mais o mesmo tipo de conhecimento estruturado que estão nos livros, mas o conhecimento adquirido nas midias. Mas a grande pergunta do Prof. Quoniam é então como o conhecimento hoje existente será transmitido para as gerações seguintes? Pois os professores usam as midias que não interessam aos alunos. Dão aula presencial e mandam eles lerem livros. O prof. Quoniam usa ferramentas colaborativas nas suas aulas. Do tipo google docs. Realmente dá possibilidades interessantes. Por exemplo assistir uma aula e registrar em grupo o que está sendo discutido. Colaborativo. Interagem as pessoas com seus conhecimentos, estruturam conjuntamente suas idéias, criam juntas. Trabalhos criados não a duas mãos, mas a 16 mãos. Cada um dá um pitaco. Simultaneamente criando conhecimento. Pessoalmente já tive experiências interessantes com ferramentas wiki com alunos do mestrado e doutorado. Artigos criados em conjunto dentro da ferramenta wiki. Os alunos tinham a possibilidade de olhar o trabalho dos colegas e opinar.